Por uma ética emaranhada.

Não nos interessa chamar de aula os quatro diferentes encontros poéticos que estamos realizando em parceria com a SP Escola de Teatro. Não estamos dando quatro cursos, estamos em curso com todos os participantes e colocando em atrito afetivo nossos procedimentos e inquietações com outros corpos, estabelecendo um território emaranhado de experiências díspares. Não buscamos uma coralidade uníssona e sim uma multidão de vozes dissonantes que se abram para compartilhar experiências.

 

Nossas ações realizadas pelo nosso projeto do fomento não se debruçam apenas sobre a pesquisa de uma estética teatral, mas carrega em si a busca da ética de uma cidade que saiba promover o convívio de suas infindáveis cores e subjetividades.

 

Dentro dessa busca ética começamos nossa primeira troca – Os emaranhados da criação.

 

A procura por compartilhar nossos procedimentos criativos foi enorme e muitas pessoas quiseram emaranhar suas trajetórias de vida com a nossa, não em busca da aquisição de uma técnica ou conhecimento e sim pela ética relacional da construção de um estado interno poroso, capaz de questionar as trincheiras de suas convicções a partir do confronto entre escolhas de vida.

 

Foram três encontros de três horas com 25 pessoas completamente diferentes. Como propiciar algo potente para tantas vozes em tão curto tempo?

 

Não tínhamos a pretensão de agradar, nem que essas 9 horas fossem mudar a vida de ninguém, nossa única vontade era que, durante esses três encontros, pelo menos em um instante, um breve instante, todos, incluindo nós três, realmente sentíssemos a conexão efêmera mas não descartável de um encontro, um encontro único ENTRE realidades... a sua e a do outro.

 

Entre... palavra imersa de significações, que será nossa disparadora de possibilidades artísticas.

 

Pensando bem, querer esse encontro pleno e único entre realidades talvez seja pretensioso, mas a utopia vive nesses desejos desmedidos. E assim seguimos junto com os  vinte cinco corpos... com vontade de utopia.

 

Experimentamos os procedimentos que utilizamos em dois processos criativos de espetáculos bem diferentes, mas que compartilham inquietudes poéticas, Condomínio Nova Era e Entre Vãos.

Os procedimentos aplicados nesse curso sem o compromisso da criação de um espetáculo potencializaram a busca por um estado “poroso” de criação e a frase que nos tocou durante esse efêmero tempo de nove horas foi a fala de Picasso: “Eu não procuro, eu acho”.

Quando Picasso diz, eu não procuro, ele provoca uma questão relevante para nós.  Procurar é estar no futuro, é propor um ato artístico que se encontra nas imediações de uma bagagem superficial de cultura que nós temos. Procurar é ter sempre o mesmo olhar frente ao que está dado, é subjugar a realidade circundante. Quando ele diz, eu acho, é a imersão no presente, é o encontro relacional entre realidades imanentes. É o convívio precário com a materialidade dos outros,  possibilitando o inesperado do objeto artístico.

 

Esse estado relacional entre realidades imanentes não é apenas a proposta desse curso, é toda nossa busca como artistas; por isso, emaranhar cursos de vida nesses encontros foi viver momentos preciosos e dignos (tivemos que fazer esse trocadilho) de serem vivenciados.

 

Difícil e desnecessário precisar a extensão da experiência no outro, mas o envolvimento e o retorno dos olhares, respirações e suores das pessoas que presentificaram essas pouquíssimas horas juntos nos abriram caminhos para novas possibilidades da aplicação dos expedientes do nosso processo e, sem dúvida nenhuma, estabeleceram muitos momentos de encontros únicos.

 

Seguiremos em ação, ainda são muitos verbos que precisam acontecer pela nossa cidade.

 

Viva São Paulo! Viva a possibilidade da convivência!

11

JUN

ISTO NÃO É

UMA AULA

Fez a direção de arte do  filme "Era o Hotel Cambridge" de Eliane Caffé  "Central do Brasil" de Walter Salles,  e "Narradores de Javé de Eliane Caffé, entre outros.

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20

MAI

ISTO NÃO É

UMA AULA

Mestre e bacharel pelo Instituto de Artes da UNESP, professor, artista, André Monteiro, o Pato, nasceu e mora em São Paulo.

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26

MAR

ISTO NÃO É

UMA AULA

Professora de Filosofia, militante LGBT e feminista brasileira. . É filiada ao PSOL, partido pelo qual foi candidata a vereadora de São Paulo, alcançando 9 744 votos...

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12

MAR

ISTO NÃO É

UMA AULA

Welington Andrade É bacharel em Artes Cênicas pela Uni-Rio e em Letras pela Universidade de São Paulo,......

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12

FEV

ISTO NÃO É UMA AULA

Profa. Dra. Luiza Helena da Silva Christov é doutora em Educação (PUC/SP 2001); ......

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