Até que ponto podemos afirmar que nossas memórias refletem exatamente o que vivemos? As memórias operam por uma linguagem não linear, trazem sensações, vivências e recordações de experiências esfumaçadas pelo tempo. Sobre esta matéria-prima, nossa imaginação completa o fragmento vivido, de acordo com nossos desejos, frustrações e outras interferências criadas por nós mesmos. Cada vez que revivemos para alguém as nossas memórias, criamos uma fábula, reinventamos a realidade. É sobre este fio tênue entre a memória e a imaginação que se debruça o espetáculo. Para tanto, as intérpretes brincam, dançam e deslizam pelas palavras do texto, criando partituras físicas bem definidas, que ora contribuem para o sentido das palavras, ora as explodem, criando um atrito entre os corpos e as palavras ditas. Tudo isso sem perder a conexão com o sentido imediato, permitindo a fruição do público tanto no nível intelectual, quanto no sensorial. Os limites do espaço físico também se diluem. Em Quase-Memória, o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por se tratarem de memórias, as fábulas do espetáculo possuem lacunas que precisam ser completadas ao serem revividas. Sempre que a encenação acontece em um espaço diferente, ela ganha novos coloridos: as histórias de cada espaço ocupado confundem-se com as narrativas ali vividas; as narrativas, ganhando vida naqueles espaços, se transformam também em parte da memória daquele lugar. É o espaço como significante da obra. Para ampliar a participação ativa do público, Quase-Memória foi pensado de maneira a explorar as possibilidades dadas por cada local em que é representado, podendo ser encenado em um espaço único (uma mesma sala que comporte tanto as cenas quanto o público) ou em versão itinerante: o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por ser um espetáculo intimista, mas sem assumir um caráter hermético, Quase-Memória pode ser fruído por espectadores de diferentes idades. Cada apresentação comporta, em média, 80 espectadores.
“Nossos olhos episódicos, acostumados com a burocracia das datas, nos permitem ver apenas em quadros. Hoje, botões. Amanhã, entreabertas. Depois, gloriosas. E por fim, vencidas.” Aquela que Contempla
“A alegria dos meus pais me assusta. Projetam um cenário, escolhem o texto, ensaiam os atores, produzem sua temporada. Divulgam e fazem a crítica ao mesmo tempo. Entro no sofá. Lá minha mãe perde seu título, seu cargo de mãe e dança comigo.” Aquela que Arranca As Quase-Memórias são apresentadas em quadros independentes. São quatro personagens que não dialogam entre si, mas que, unidos pela necessidade de sublimar uma situação limite em suas vidas, expõem suas experiências de maneira simbólica, porém clara. Ao entrar no local de representação, o público se depara com uma atmosfera que o desloca a um outro tempo e espaço, um ambiente que se utiliza de objetos e signos cotidianos, mas os remete ao universo simbólico das memórias. Os espectadores se espalham pelo espaço e sua presença física, juntamente com todos os elementos cênicos, faz parte da atmosfera propícia para vivenciar as memórias dos quatro quadros que serão representados. Enquanto o público frui de uma dança realizada por uma das intérpretes, a outra intérprete entra em cena arrastando um carrinho de feira recheado de quinquilharias. Em tom confidencial, ela aborda algumas pessoas do público e a eles entrega objetos que serão usados na encenação. Cada um destes objetos faz parte de uma memória, de uma fábula. Guiado pelas intérpretes, o público as auxilia a usar os objetos numa espécie de ritual, que os prepara para a primeira fábula, sobre uma criança que sublima o excesso de zelo dos pais recriando seu mundo atrás de um sofá. Encenada essa fábula/memória, todos os objetos usados no ‘ritual’ são levados ao espaço da cena pelas atrizes e pelo público, formando um pequeno altar: uma Quase-Memória daquela história. Os outros objetos são usados para a iniciação do público em outras três histórias: um homem que sublima o peso do cotidiano escrevendo enfurecidamente em seu quarto; uma mulher que sublima a aproximação de sua morte ao observar as plantas de seu jardim; um idoso que sublima sua vida monótona e sem surpresas recortando imagens de mulheres que andam nas ruas. Cada uma das fábulas deixa em seu fim sua Quase-Memória. Contemplada a última Quase-Memória, as intérpretes realizam uma derradeira dança: uma reverência às memórias ali evocadas; uma reverência à frágil e sublime dança dos fragmentos de memórias.
Criação e Direção: A Digna Companhia Intérpretes: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Dramaturgia: Victor Nóvoa Cenografia e Figurino: A Digna Companhia Objetos de cena: Henrique de França e Anike Laurita Operação de Luz e Som: Lincoln Antonio de Araújo Produção: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Fotos: Ricardo Bassetti Classificação: 12 anos Duração: 60 min
“Abro a lacuna para a intérprete. Espaço para elas se amalgamarem, se experimentarem, dançarem coladas, criarem belos movimentos estéticos. Acabamos de nascer.”
Até que ponto podemos afirmar que nossas memórias refletem exatamente o que vivemos? As memórias operam por uma linguagem não linear, trazem sensações, vivências e recordações de experiências esfumaçadas pelo tempo. Sobre esta matéria-prima, nossa imaginação completa o fragmento vivido, de acordo com nossos desejos, frustrações e outras interferências criadas por nós mesmos. Cada vez que revivemos para alguém as nossas memórias, criamos uma fábula, reinventamos a realidade. É sobre este fio tênue entre a memória e a imaginação que se debruça o espetáculo. Para tanto, as intérpretes brincam, dançam e deslizam pelas palavras do texto, criando partituras físicas bem definidas, que ora contribuem para o sentido das palavras, ora as explodem, criando um atrito entre os corpos e as palavras ditas. Tudo isso sem perder a conexão com o sentido imediato, permitindo a fruição do público tanto no nível intelectual, quanto no sensorial. Os limites do espaço físico também se diluem. Em Quase-Memória, o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por se tratarem de memórias, as fábulas do espetáculo possuem lacunas que precisam ser completadas ao serem revividas. Sempre que a encenação acontece em um espaço diferente, ela ganha novos coloridos: as histórias de cada espaço ocupado confundem-se com as narrativas ali vividas; as narrativas, ganhando vida naqueles espaços, se transformam também em parte da memória daquele lugar. É o espaço como significante da obra. Para ampliar a participação ativa do público, Quase-Memória foi pensado de maneira a explorar as possibilidades dadas por cada local em que é representado, podendo ser encenado em um espaço único (uma mesma sala que comporte tanto as cenas quanto o público) ou em versão itinerante: o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por ser um espetáculo intimista, mas sem assumir um caráter hermético, Quase-Memória pode ser fruído por espectadores de diferentes idades. Cada apresentação comporta, em média, 80 espectadores. “Nossos olhos episódicos, acostumados com a burocracia das datas, nos permitem ver apenas em quadros. Hoje, botões. Amanhã, entreabertas. Depois, gloriosas. E por fim, vencidas.” Aquela que Contempla “A alegria dos meus pais me assusta. Projetam um cenário, escolhem o texto, ensaiam os atores, produzem sua temporada. Divulgam e fazem a crítica ao mesmo tempo. Entro no sofá. Lá minha mãe perde seu título, seu cargo de mãe e dança comigo.” Aquela que Arranca
As Quase-Memórias são apresentadas em quadros independentes. São quatro personagens que não dialogam entre si, mas que, unidos pela necessidade de sublimar uma situação limite em suas vidas, expõem suas experiências de maneira simbólica, porém clara. Ao entrar no local de representação, o público se depara com uma atmosfera que o desloca a um outro tempo e espaço, um ambiente que se utiliza de objetos e signos cotidianos, mas os remete ao universo simbólico das memórias. Os espectadores se espalham pelo espaço e sua presença física, juntamente com todos os elementos cênicos, faz parte da atmosfera propícia para vivenciar as memórias dos quatro quadros que serão representados. Enquanto o público frui de uma dança realizada por uma das intérpretes, a outra intérprete entra em cena arrastando um carrinho de feira recheado de quinquilharias. Em tom confidencial, ela aborda algumas pessoas do público e a eles entrega objetos que serão usados na encenação. Cada um destes objetos faz parte de uma memória, de uma fábula. Guiado pelas intérpretes, o público as auxilia a usar os objetos numa espécie de ritual, que os prepara para a primeira fábula, sobre uma criança que sublima o excesso de zelo dos pais recriando seu mundo atrás de um sofá. Encenada essa fábula/memória, todos os objetos usados no ‘ritual’ são levados ao espaço da cena pelas atrizes e pelo público, formando um pequeno altar: uma Quase-Memória daquela história. Os outros objetos são usados para a iniciação do público em outras três histórias: um homem que sublima o peso do cotidiano escrevendo enfurecidamente em seu quarto; uma mulher que sublima a aproximação de sua morte ao observar as plantas de seu jardim; um idoso que sublima sua vida monótona e sem surpresas recortando imagens de mulheres que andam nas ruas. Cada uma das fábulas deixa em seu fim sua Quase-Memória. Contemplada a última Quase-Memória, as intérpretes realizam uma derradeira dança: uma reverência às memórias ali evocadas; uma reverência à frágil e sublime dança dos fragmentos de memórias.
“Abro a lacuna para a intérprete. Espaço para elas se amalgamarem, se experimentarem, dançarem coladas, criarem belos movimentos estéticos. Acabamos de nascer.”
Criação e Direção: A Digna Companhia Intérpretes: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Dramaturgia: Victor Nóvoa Cenografia e Figurino: A Digna Companhia Objetos de cena: Henrique de França e Anike Laurita Operação de Luz e Som: Lincoln Antonio de Araújo Produção: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Fotos: Ricardo Bassetti Classificação: 12 anos Duração: 60 min
Criação e Direção: A Digna Companhia Intérpretes: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Dramaturgia: Victor Nóvoa Cenografia e Figurino: A Digna Companhia Objetos de cena: Henrique de França e Anike Laurita Operação de Luz e Som: Lincoln Antonio de Araújo Produção: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Fotos: Ricardo Bassetti Classificação: 12 anos Duração: 60 min
Até que ponto podemos afirmar que nossas memórias refletem exatamente o que vivemos? As memórias operam por uma linguagem não linear, trazem sensações, vivências e recordações de experiências esfumaçadas pelo tempo. Sobre esta matéria-prima, nossa imaginação completa o fragmento vivido, de acordo com nossos desejos, frustrações e outras interferências criadas por nós mesmos. Cada vez que revivemos para alguém as nossas memórias, criamos uma fábula, reinventamos a realidade. É sobre este fio tênue entre a memória e a imaginação que se debruça o espetáculo. Para tanto, as intérpretes brincam, dançam e deslizam pelas palavras do texto, criando partituras físicas bem definidas, que ora contribuem para o sentido das palavras, ora as explodem, criando um atrito entre os corpos e as palavras ditas. Tudo isso sem perder a conexão com o sentido imediato, permitindo a fruição do público tanto no nível intelectual, quanto no sensorial. Os limites do espaço físico também se diluem. Em Quase-Memória, o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por se tratarem de memórias, as fábulas do espetáculo possuem lacunas que precisam ser completadas ao serem revividas. Sempre que a encenação acontece em um espaço diferente, ela ganha novos coloridos: as histórias de cada espaço ocupado confundem-se com as narrativas ali vividas; as narrativas, ganhando vida naqueles espaços, se transformam também em parte da memória daquele lugar. É o espaço como significante da obra. Para ampliar a participação ativa do público, Quase-Memória foi pensado de maneira a explorar as possibilidades dadas por cada local em que é representado, podendo ser encenado em um espaço único (uma mesma sala que comporte tanto as cenas quanto o público) ou em versão itinerante: o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por ser um espetáculo intimista, mas sem assumir um caráter hermético, Quase-Memória pode ser fruído por espectadores de diferentes idades. Cada apresentação comporta, em média, 80 espectadores.
“Nossos olhos episódicos, acostumados com a burocracia das datas, nos permitem ver apenas em quadros. Hoje, botões. Amanhã, entreabertas. Depois, gloriosas. E por fim, vencidas.” Aquela que Contempla
As Quase-Memórias são apresentadas em quadros independentes. São quatro personagens que não dialogam entre si, mas que, unidos pela necessidade de sublimar uma situação limite em suas vidas, expõem suas experiências de maneira simbólica, porém clara. Ao entrar no local de representação, o público se depara com uma atmosfera que o desloca a um outro tempo e espaço, um ambiente que se utiliza de objetos e signos cotidianos, mas os remete ao universo simbólico das memórias. Os espectadores se espalham pelo espaço e sua presença física, juntamente com todos os elementos cênicos, faz parte da atmosfera propícia para vivenciar as memórias dos quatro quadros que serão representados. Enquanto o público frui de uma dança realizada por uma das intérpretes, a outra intérprete entra em cena arrastando um carrinho de feira recheado de quinquilharias. Em tom confidencial, ela aborda algumas pessoas do público e a eles entrega objetos que serão usados na encenação. Cada um destes objetos faz parte de uma memória, de uma fábula. Guiado pelas intérpretes, o público as auxilia a usar os objetos numa espécie de ritual, que os prepara para a primeira fábula, sobre uma criança que sublima o excesso de zelo dos pais recriando seu mundo atrás de um sofá. Encenada essa fábula/memória, todos os objetos usados no ‘ritual’ são levados ao espaço da cena pelas atrizes e pelo público, formando um pequeno altar: uma Quase-Memória daquela história. Os outros objetos são usados para a iniciação do público em outras três histórias: um homem que sublima o peso do cotidiano escrevendo enfurecidamente em seu quarto; uma mulher que sublima a aproximação de sua morte ao observar as plantas de seu jardim; um idoso que sublima sua vida monótona e sem surpresas recortando imagens de mulheres que andam nas ruas. Cada uma das fábulas deixa em seu fim sua Quase-Memória. Contemplada a última Quase-Memória, as intérpretes realizam uma derradeira dança: uma reverência às memórias ali evocadas; uma reverência à frágil e sublime dança dos fragmentos de memórias.
“A alegria dos meus pais me assusta. Projetam um cenário, escolhem o texto, ensaiam os atores, produzem sua temporada. Divulgam e fazem a crítica ao mesmo tempo. Entro no sofá. Lá minha mãe perde seu título, seu cargo de mãe e dança comigo.” Aquela que Arranca “Abro a lacuna para a intérprete. Espaço para elas se amalgamarem, se experimentarem, dançarem coladas, criarem belos movimentos estéticos. Acabamos de nascer.”
Até que ponto podemos afirmar que nossas memórias refletem exatamente o que vivemos? As memórias operam por uma linguagem não linear, trazem sensações, vivências e recordações de experiências esfumaçadas pelo tempo. Sobre esta matéria-prima, nossa imaginação completa o fragmento vivido, de acordo com nossos desejos, frustrações e outras interferências criadas por nós mesmos. Cada vez que revivemos para alguém as nossas memórias, criamos uma fábula, reinventamos a realidade. É sobre este fio tênue entre a memória e a imaginação que se debruça o espetáculo. Para tanto, as intérpretes brincam, dançam e deslizam pelas palavras do texto, criando partituras físicas bem definidas, que ora contribuem para o sentido das palavras, ora as explodem, criando um atrito entre os corpos e as palavras ditas. Tudo isso sem perder a conexão com o sentido imediato, permitindo a fruição do público tanto no nível intelectual, quanto no sensorial. Os limites do espaço físico também se diluem. Em Quase-Memória, o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por se tratarem de memórias, as fábulas do espetáculo possuem lacunas que precisam ser completadas ao serem revividas. Sempre que a encenação acontece em um espaço diferente, ela ganha novos coloridos: as histórias de cada espaço ocupado confundem-se com as narrativas ali vividas; as narrativas, ganhando vida naqueles espaços, se transformam também em parte da memória daquele lugar. É o espaço como significante da obra. Para ampliar a participação ativa do público, Quase-Memória foi pensado de maneira a explorar as possibilidades dadas por cada local em que é representado, podendo ser encenado em um espaço único (uma mesma sala que comporte tanto as cenas quanto o público) ou em versão itinerante: o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por ser um espetáculo intimista, mas sem assumir um caráter hermético, Quase-Memória pode ser fruído por espectadores de diferentes idades. Cada apresentação comporta, em média, 80 espectadores. As Quase-Memórias são apresentadas em quadros independentes. São quatro personagens que não dialogam entre si, mas que, unidos pela necessidade de sublimar uma situação limite em suas vidas, expõem suas experiências de maneira simbólica, porém clara. Ao entrar no local de representação, o público se depara com uma atmosfera que o desloca a um outro tempo e espaço, um ambiente que se utiliza de objetos e signos cotidianos, mas os remete ao universo simbólico das memórias. Os espectadores se espalham pelo espaço e sua presença física, juntamente com todos os elementos cênicos, faz parte da atmosfera propícia para vivenciar as memórias dos quatro quadros que serão representados. Enquanto o público frui de uma dança realizada por uma das intérpretes, a outra intérprete entra em cena arrastando um carrinho de feira recheado de quinquilharias. Em tom confidencial, ela aborda algumas pessoas do público e a eles entrega objetos que serão usados na encenação. Cada um destes objetos faz parte de uma memória, de uma fábula. Guiado pelas intérpretes, o público as auxilia a usar os objetos numa espécie de ritual, que os prepara para a primeira fábula, sobre uma criança que sublima o excesso de zelo dos pais recriando seu mundo atrás de um sofá. Encenada essa fábula/memória, todos os objetos usados no ‘ritual’ são levados ao espaço da cena pelas atrizes e pelo público, formando um pequeno altar: uma Quase-Memória daquela história. Os outros objetos são usados para a iniciação do público em outras três histórias: um homem que sublima o peso do cotidiano escrevendo enfurecidamente em seu quarto; uma mulher que sublima a aproximação de sua morte ao observar as plantas de seu jardim; um idoso que sublima sua vida monótona e sem surpresas recortando imagens de mulheres que andam nas ruas. Cada uma das fábulas deixa em seu fim sua Quase-Memória. Contemplada a última Quase-Memória, as intérpretes realizam uma derradeira dança: uma reverência às memórias ali evocadas; uma reverência à frágil e sublime dança dos fragmentos de memórias. Criação e Direção: A Digna Companhia Intérpretes: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Dramaturgia: Victor Nóvoa Cenografia e Figurino: A Digna Companhia Objetos de cena: Henrique de França e Anike Laurita Operação de Luz e Som: Lincoln Antonio de Araújo Produção: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Fotos: Ricardo Bassetti Classificação: 12 anos Duração: 60 min
“Nossos olhos episódicos, acostumados com a burocracia das datas, nos permitem ver apenas em quadros. Hoje, botões. Amanhã, entreabertas. Depois, gloriosas. E por fim, vencidas.” Aquela que Contempla “A alegria dos meus pais me assusta. Projetam um cenário, escolhem o texto, ensaiam os atores, produzem sua temporada. Divulgam e fazem a crítica ao mesmo tempo. Entro no sofá. Lá minha mãe perde seu título, seu cargo de mãe e dança comigo.” Aquela que Arranca “Abro a lacuna para a intérprete. Espaço para elas se amalgamarem, se experimentarem, dançarem coladas, criarem belos movimentos estéticos. Acabamos de nascer.”
Até que ponto podemos afirmar que nossas memórias refletem exatamente o que vivemos? As memórias operam por uma linguagem não linear, trazem sensações, vivências e recordações de experiências esfumaçadas pelo tempo. Sobre esta matéria-prima, nossa imaginação completa o fragmento vivido, de acordo com nossos desejos, frustrações e outras interferências criadas por nós mesmos. Cada vez que revivemos para alguém as nossas memórias, criamos uma fábula, reinventamos a realidade. É sobre este fio tênue entre a memória e a imaginação que se debruça o espetáculo. Para tanto, as intérpretes brincam, dançam e deslizam pelas palavras do texto, criando partituras físicas bem definidas, que ora contribuem para o sentido das palavras, ora as explodem, criando um atrito entre os corpos e as palavras ditas. Tudo isso sem perder a conexão com o sentido imediato, permitindo a fruição do público tanto no nível intelectual, quanto no sensorial. Os limites do espaço físico também se diluem. Em Quase-Memória, o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por se tratarem de memórias, as fábulas do espetáculo possuem lacunas que precisam ser completadas ao serem revividas. Sempre que a encenação acontece em um espaço diferente, ela ganha novos coloridos: as histórias de cada espaço ocupado confundem-se com as narrativas ali vividas; as narrativas, ganhando vida naqueles espaços, se transformam também em parte da memória daquele lugar. É o espaço como significante da obra. Para ampliar a participação ativa do público, Quase-Memória foi pensado de maneira a explorar as possibilidades dadas por cada local em que é representado, podendo ser encenado em um espaço único (uma mesma sala que comporte tanto as cenas quanto o público) ou em versão itinerante: o público é convidado a percorrer o caminho em que as histórias são revividas, passando por diferentes ambientes ao seguir as intérpretes. O espetáculo pode acontecer em uma casa antiga, um parque, um galpão; em espaços internos e/ou externos, que possibilitam o aumento da amplitude de sensações, tornando a experiência cênica ainda mais única e significativa. Por ser um espetáculo intimista, mas sem assumir um caráter hermético, Quase-Memória pode ser fruído por espectadores de diferentes idades. Cada apresentação comporta, em média, 80 espectadores. “Nossos olhos episódicos, acostumados com a burocracia das datas, nos permitem ver apenas em quadros. Hoje, botões. Amanhã, entreabertas. Depois, gloriosas. E por fim, vencidas.” Aquela que Contempla As Quase-Memórias são apresentadas em quadros independentes. São quatro personagens que não dialogam entre si, mas que, unidos pela necessidade de sublimar uma situação limite em suas vidas, expõem suas experiências de maneira simbólica, porém clara. Ao entrar no local de representação, o público se depara com uma atmosfera que o desloca a um outro tempo e espaço, um ambiente que se utiliza de objetos e signos cotidianos, mas os remete ao universo simbólico das memórias. Os espectadores se espalham pelo espaço e sua presença física, juntamente com todos os elementos cênicos, faz parte da atmosfera propícia para vivenciar as memórias dos quatro quadros que serão representados. Enquanto o público frui de uma dança realizada por uma das intérpretes, a outra intérprete entra em cena arrastando um carrinho de feira recheado de quinquilharias. Em tom confidencial, ela aborda algumas pessoas do público e a eles entrega objetos que serão usados na encenação. Cada um destes objetos faz parte de uma memória, de uma fábula. Guiado pelas intérpretes, o público as auxilia a usar os objetos numa espécie de ritual, que os prepara para a primeira fábula, sobre uma criança que sublima o excesso de zelo dos pais recriando seu mundo atrás de um sofá. Encenada essa fábula/memória, todos os objetos usados no ‘ritual’ são levados ao espaço da cena pelas atrizes e pelo público, formando um pequeno altar: uma Quase-Memória daquela história. Os outros objetos são usados para a iniciação do público em outras três histórias: um homem que sublima o peso do cotidiano escrevendo enfurecidamente em seu quarto; uma mulher que sublima a aproximação de sua morte ao observar as plantas de seu jardim; um idoso que sublima sua vida monótona e sem surpresas recortando imagens de mulheres que andam nas ruas. Cada uma das fábulas deixa em seu fim sua Quase-Memória. Contemplada a última Quase-Memória, as intérpretes realizam uma derradeira dança: uma reverência às memórias ali evocadas; uma reverência à frágil e sublime dança dos fragmentos de memórias. Criação e Direção: A Digna Companhia Intérpretes: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Dramaturgia: Victor Nóvoa Cenografia e Figurino: A Digna Companhia Objetos de cena: Henrique de França e Anike Laurita Operação de Luz e Som: Lincoln Antonio de Araújo Produção: Ana Vitória Bella e Helena Cardoso Fotos: Ricardo Bassetti Classificação: 12 anos Duração: 60 min
“A alegria dos meus pais me assusta. Projetam um cenário, escolhem o texto, ensaiam os atores, produzem sua temporada. Divulgam e fazem a crítica ao mesmo tempo. Entro no sofá. Lá minha mãe perde seu título, seu cargo de mãe e dança comigo.” Aquela que Arranca
“Abro a lacuna para a intérprete. Espaço para elas se amalgamarem, se experimentarem, dançarem coladas, criarem belos movimentos estéticos. Acabamos de nascer.”